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Dicas úteis de Contra-Inteligência

Enviado por ataliba em ter, 2010-02-16 18:05.

Artigo interessante que encontrei no blog Hack Proofing, sobre Contra-Inteligência, que inclusive é o assunto ao qual estou dedicando este ano a estudar na minha pós :)

A fim de ampliar o nível de segurança das informações que circulam dentro de um ambiente sensível, sugerimos a adoção das seguintes recomendações:

1. É importante que alguém de confiança acompanhe reformas físicas no prédio bem como as manutenções de redes, principalmente em se tratando de computadores, ou central de telefones.

2. Programas e arquivos sigilosos devem ter acesso controladas por senhas ou outros métodos.

3. Assuntos sigilosos devem ser tratadas pessoalmente. Evite o uso do correio eletrônico ou telefone para estas finalidades.

4. A tecnologia da contra inteligência é cara, mas indispensável, bem como uma equipe bem treinada e de confiança.

5. Acredite sempre na possibilidade de você se confrontar com um espião mais experiente que você ou sua equipe.

6. Ao conversar assuntos sigilosos pessoalmente, considere sempre as possíveis vulnerabilidades do ambiente ou as intenções do seu interlocutor. Cheque também se o seu telefone celular não foi ligado acidentalmente.

7. Peça identificação aos profissionais que trabalham nos postes próximos da sua residência ou local de serviço. Alguns espiões conseguem identificarem-se próprios a si e seus veículos como sendo, por exemplo, da companhia telefônica. Por isto, sempre confirme a identificação com a companhia que o suspeito diz trabalhar.

8. Desenvolva programas de conscientização de funcionários para não saírem falando para os amigos tudo o que sabem sobre a empresa. Alguns espiões podem aproximar-se de empregados descuidados.

9. Verifique constantemente janelas, portas, quadros de chaves, trancas, quadros de DGs (telefones) e etc.

10. Procure por possíveis sinais de invasão durante a sua ausência. Uma caneta fora de posição na mesa pode ser sinal de que alguém este revirando-a na sua ausência.

11. Simule vazamentos de informações de maneira controlada. De acordo com as notícias que vierem à tona, você saberá quem são as pessoas em que pode confiar.

12. Escuta em ramais de centrais telefônicas eletrônicas é de difícil interceptação a partir da central do usuário para fora, porém é conveniente lembrar que a linha do interlocutor externo pode ser escutada e/ou gravada.

13. Os telefones com linhas diretas (analógicas) possibilitam fácil identificação de seus pares de fios correspondentes, logo, podem ser "grampeados" no ambiente que estiverem instalados, nas caixas distribuidoras dentro do prédio do usuário, na central telefônica do edifício (central do usuário), armários externos ou na empresa telefônica local (concessionária). Portanto, o seu privilégio em usar linhas diretas facilita o trabalho de quem deseja interceptar suas ligações.

14. Nos telefones digitais, apesar das dificuldades técnicas de interceptação no percurso entre o usuário final (interlocutor ao telefone) e a central do usuário, ainda assim, é de relativa facilidade a implementação de aparelho de escuta dentro do próprio aparelho telefônico digital, se ele é de fácil acesso e manuseio por outros.

15. Apesar do usuário final possuir em sua sala somente aparelhos digitais em suas linhas diretas, é comum que o link entre a central do usuário e
central da concessionária seja "não digital", o que o coloca praticamente na condição descrita no item anterior, evidenciando assim a vulnerabilidade das linhas diretas digitais ou não, já que muitas vezes a interceptação ocorre entre a central do usuário e a central da
concessionária local.

16. O uso do telefone celular deve ser apenas para assuntos de domínio público. A telefonia celular opera via radiotransmissão entre o aparelho celular e a torre da concessionária sendo possível interceptar seus sinais por meio de receptores de varredura como os scanners (não se esqueça que mesmo um aparelho celular "digital" pode temporariamente funcionar no modo "analógico" ).

17. O mesmo fundamento utilizado no item anterior, vale para o caso dos telefones sem fio, variando-se aqui apenas o fato de que a radiotransmissão ocorre entre o monofone (a parte do aparelho que o usuário utiliza para falar) e a base do aparelho.

18. Existem grampos que se utilizam de sofisticações tecnológicas e são implementados de tal forma que a sua detecção por meios eletrônicos se
torna quase impraticável.

19. Os meios reprográficos associados à negligência no manuseio de documentos são meios de vazamento de informações, freqüentemente confundidos com escuta telefônica.

20. Lembre-se que seu interlocutor pode estar gravando o diálogo, telefones com secretárias eletrônicas possuem geralmente esse recurso disponível.

21. Papel carbono utilizado e não destruído é fonte de informação, assim como minutas de documentos e sobras de testes mecanográficos.

22. Após o expediente, deve-se guardar documentos em locais que possam ser trancados com chaves ou cadeados. Isto também vale para os documentos em sua bolsa.

23. Máquinas fotográficas, em fração de segundos, registram documentos deixados de forma descuidada sobre as mesas, assim como câmeras de vídeo.

24. A escuta ambiental pode ser implementada através de fonocaptadores ligados a gravadores ou a transmissores que modulam o sinal para que o mesmo seja
transmitido via radiofreqüência para posterior recepção/ demodulação em outro ponto, ou mesmo modulado em baixa freqüência e enviado via rede elétrica local para que em outro ponto desta rede seja recepcionado/demodulado.

25. Habitue-se a exigir credenciais das pessoas antes de terem acesso à sua empresa ou residência.

26. Almoços executivos, onde assuntos são tratados e discutidos, podem funcionar como pontos vulneráveis para vazamento de informações; são
oportunidades que podem ser usadas por jornalistas ou outras pessoas interessadas na informação.

27. O uso de máquinas fragmentadoras (picotadoras de papéis) em
escritórios/gabinetes é fator de segurança contra vazamento de informações.

28. Pessoas que apresentam vulnerabilidade no caráter - jogadores inveterados, tomadores de empréstimos compulsivos, alcoólicos, viciados em drogas, etc, podem ser compelidos a se tornarem "informantes".

29. Evite ser metódico com relação a pontos de encontros. A escuta ambiental geralmente é planejada em função de hábitos e preferência do alvo (pessoa sob vigilância), que são "mapeados" previamente.

30. Mesmo no recinto do lar podem haver informantes. Sempre que possível deixe para o ambiente de trabalho os assuntos a ele relacionados.

31. Ambientes utilizados para reuniões e tomadas de decisões devem ser vistoriados previamente e frequentemente.

32. Quando existirem fortes indicativos de que determinada linha telefônica esteja sob vigilância, é recomendável o uso de scrambler (misturadores
de vozes) entre os dois pontos mais críticos relacionados ao tráfego de informações, ou ainda o uso de bloqueadores de grampos. Dê preferência aos equipamentos de contra inteligência de uma linha profissional.

33. Dentro das possibilidades, as cápsulas telefônicas e tomadas de paredes devem ser marcadas e, sempre que possível, submetidas a verificações
inopinadamente.

34. Miolos de tomadas de energia, telefones, interruptores, etc, quando possível, devem ser vistoriados e marcados.

35. A varredura efetuada em determinada data garante a eficácia dos trabalhos apenas naquela data e considerando-se ainda os métodos e equipamentos utilizados.

36. Nada pode garantir que o espião, sabendo do agendamento da varredura, tenha retirado o grampo (ambiente ou telefônico) previamente, nem se pode garantir que após a execução do trabalho de varredura, "alguém" não vá colocar uma escuta no ambiente, por isso a valorização dos procedimentos básicos de segurança é essencial.

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  • Textos: Contra-Inteligência

A Natureza do Trans-Humanismo e Demais Formas de Futurismo

Enviado por ataliba em sex, 2009-10-16 10:30.

Artigo muito interessante sobre Transhumanismo e suas formas somadas ao futurismo.

O artigo é um pouco exagerado em alguns pontos, mas o autor me parece ser mais ligado ao Extropianismo, que é uma forma de Transhumanismo mais amplificada, ou seja, levando o Transhumanismo um pouco mais ao extremo. 

Mas, o artigo consegue passar, em poucas linhas, todas as idéias principais do Transhumanismo e o que o Transhumanista espera do futuro. 

Eu, pessoalmente, não espero uma sociedade tão perfeita o quanto o texto mostra. Só espero, que, com a ajuda da tecnologia, consigamos chegar a um patamar muito interessante, onde consigamos uma sociedade mais justa e ainda, muito melhor para cada ser humano. 

Para ler o texto, clique aqui. 

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  • Textos: Transhumanismo

O Brasil na próxima década

Enviado por ataliba em qua, 2009-10-14 14:30.

Antero Coelho é um dos caras que praticamente me apresentou o Transhumanismo. E, sem dúvida, é uma figura de rara sabedoria, coisa que pode ser vista nos seus textos.

Sempre leio os textos que ele me manda e este eu achei deveras interessante para ser publicado, sem desmerece todos que ele me manda sempre. 

 

O Povo
"O Brasil na próxima década"

Antero Coelho Neto
07 Out 2009 - 00h48min

Como estudioso no assunto da futurologia e membro ativo de várias associações, sempre tenho procurado fazer a previsão dos cenários futuros de nosso país. Lembro para os leitores que no meu livro publicado em 2003, O Futurista e o Adivinho, destaco as mudanças previstas para a próxima década nas áreas do desenvolvimento econômico, tecnologia e as ciências, população e suas migrações, ecologia, assim como a qualidade de vida do povo brasileiro. Há vários anos defendo, como vários outros estudiosos, que apenas o desenvolvimento econômico, medido pelo PIB, é insuficiente para retratar a felicidade do povo que é o importante na vida de todos.

Para mim, como para vários outros pesquisadores no assunto, as possibilidades de mudanças importantes no cenário mundial para a próxima década são evidentes. Alguns países com as mudanças efetuadas, devem melhorar significativamente de qualidade de vida, valores, cidadania e a longevidade de suas populações. Acreditamos que estes serão os elementos condicionantes mais importantes dos projetos políticos de alguns países do universo.

A busca do desenvolvimento econômico exclusivo está com os dias contados. Existem evidentes sinais que asseguram uma política dirigida para uma ecologia humana e integral em vários países do globo, inclusive no Brasil. Acreditamos que os políticos e economistas serão inteligentes para entender que suas propostas terão que compartilhar com a segurança, desenvolvimento humano e a satisfação de viver da população. E isto somente poderá ser alcançado através das dimensões fundamentais da vida: saúde, educação, estilos de vida e ambiente saudável.

As três primeiras dessas dimensões humanas já são conhecidas de grande parte de nossa população como fundamentais, em virtude da enorme difusão das informações através dos diferentes meios de comunicação. As publicações de muitos autores, a mídia de uma maneira em geral, a Internet e os ensinamentos adquiridos nas Escolas e Universidades tem destacado as nossas necessidades e desejos.

A quarta dimensão, ambiente saudável, finalmente e felizmente no Brasil, constitui assunto de destaque no cenário político de todo o país. A luta contra a destruição dos rios e florestas, aquecimento global e a perda da biodiversidade assim como a prática de uma humanização do ambiente de uma maneira integral, já são e serão os grandes assuntos da próxima década.Muitos já estamos convencidos que o ambiente é de vital importância e os partidos políticos vão ter que mudar suas visões exclusivamente economicistas.

Temos de melhorar e aumentar a classe média e diminuir os pobres e, para isto, também é vital aumentar a satisfação do homem no ambiente saudável em que vive. Vejo que não foi em vão quando procurava um Partido Político em 1984 e, como resultado de minha busca inútil, escrevia meu artigo neste O POVO (``Procura-se um Partido`` em 2/10/84) e concluía dizendo: ”Para conseguir participar de um real partido político é necessário aceitar e valorizar os seus princípios e objetivos fundamentais. Coisas que, infelizmente, não identifico nos Sarneys & Cia, que aí estão na pregação de um novo Partido``.

Já naquele tempo... Há 25 anos atrás! Mas vai mudar. Acreditem. As marinas estão chegando.

Antero Coelho Neto - Médico e professor
acoelho@secrel.com.br

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  • Textos: Opinião

Carta aberta dos Ateus ao Presidente

Enviado por ataliba em ter, 2009-09-01 13:36.

Hoje, eu publico a carta. Amanhã ou hoje mais tarde, com um tempo razoável, vou fazer minhas considerações sobre o texto. Sinto que infelizmente, nós ateus, que queremos nos ver reconhecidos pela socidade, como cidadãos, precisamos começar um trabalho político.
Para de falar de ateu para a ateu, e começar a falar de ateu, para o povo como um todo.

 

Caro presidente,

o senhor chegou ao poder carregado pela bandeira de uma sociedade mais justa e mais inclusiva. O uso da palavra “excluídos” no vocabulário das políticas públicas tem o mérito de nos lembrar que as conquistas de nossa sociedade devem ser estendidas a todos, sem exceção. Sim, devemos incluir os negros, incluir as mulheres, incluir os miseráveis, incluir os homossexuais. Mas, presidente, também é preciso incluir ateus e agnósticos, e todos os demais indivíduos que não têm religião.

Infelizmente, diversas declarações pessoais suas, assim como políticas do seu governo, têm deposto em contrário. Ontem mesmo o senhor afirmou que há “muitos” ateus que falam sobre a divindade da mitologia cristã quando estão em perigo. Ora, quando alguém diz “viche”, é difícil imaginar que esteja pensando em uma mulher palestina que se alega ter concebido há mais de dois mil anos sem pai biológico. Algumas expressões se cristalizam na língua e perdem toda a referência
ao seu significado estrito com o tempo, e esse é o caso das interjeições que são religiosas em sua raiz, mas há muito estão secularizadas. Se valesse apenas a etimologia, não poderíamos nem falar “caramba” sem tirar as crianças da sala.

 

Sua afirmação é a de quem vê “muitos” ateus como hipócritas ou autocontraditórios, pessoas sem força de convicção que no íntimo não são descrentes. Nós, membros da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, não temos conhecimento desses ateus, e consideramos que essa referência a tantos de nós é ofensiva e preconceituosa. Todos os credos e convicções têm sua generosa parcela de canalhas e incoerentes; utilizar os ateus como exemplo particular dessas características
negativas, como se fôssemos mais canalhas e mais incoerentes, é uma acusação grave que afronta a nossa dignidade. E os ateus, presidente, também têm dignidade.

Duas semanas atrás, o senhor afirmou que a religião pode manter os jovens longe da violência e delinqüência e que “com mais religião, o mundo seria menos violento e com muito mais paz”. Mas dizer que as pessoas religiosas são menos violentas e conduzem mais à paz é exatamente o mesmo que dizer que as pessoas menos religiosas são mais violentas e conduzem mais à guerra. Então, presidente, segundo o senhor, além de incoerentes e hipócritas, os ateus são criminoso e
violentos? Não lhe parece estranho que tantos países tão violentos estejam tão cheios de religião, e tantos países com frações tão altas de ateus tenham baixíssimos índices de criminalidade? Não é curioso que as cadeias brasileiras estejam repletas de cristãos, assim como as páginas dos escândalos políticos? Algumas das pessoas com convicções religiosas mais fortes de que se tem notícia morreram ao lançar aviões contra arranha-céus e se comprazeram ao negar o direito mais básico do divórcio a centenas de milhões de pessoas. Durante séculos. O mundo
realmente tinha mais paz e menos violência quando havia mais religião? Parece-nos que não.

A prática de diminuir, ofender, desumanizar, descaracterizar e humilhar grupos sociais é antiga e foi utilizada desde sempre para justificar guerras, perseguição e, em uma palavra, exclusão.
Presidente, por que é que o senhor exclui a nós, ateus, do rol de indivíduos com moralidade, integridade e valores democráticos?

No Brasil, os ateus não têm sequer o direito de saberem quantos são. O Estado do qual eles são cidadãos plenos designa recenseadores para irem até suas casas e lhes perguntarem qual é sua religião. Mas se dizem que são ateus ou agnósticos, seus números específicos lhes são
negados. Presidente, através de pesquisas particulares sabemos que há milhões de ateus no país, mas o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que publica os números de grupos religiosos que têm apenas algumas dezenas de membros, não nos concede essa mesma deferência. Onde está a inclusão se nos é negado até o direito de auto-conhecimento? Esse profundo desrespeito é um fruto evidente da noção, que o senhor vem pormenorizando com todas as letras, de que os ateus não merecem ser cidadãos plenos.

Presidente, queremos aqui dizer para todos: somos cidadãos, e temos direitos. Incluindo o de não sermos vilipendiados em praça pública pelo chefe do nosso Estado, eleito com o voto, também, de muitos ateus, que agora se sentem traídos.

Presidente, não podemos deixar de apontar que somente um estado verdadeiramente laico pode trazer liberdade religiosa verdadeira, através da igualdade plena entre religiosos de todos os matizes, assim como entre religiosos e não-religiosos de todos os tipos, incluindo ateus e agnósticos. Infelizmente, seu governo não apenas tem sido leniente com violações históricas da laicidade do Estado brasileiro, como agora espontaneamente introduziu o maior retrocesso imaginável nessa área que foi a assinatura do acordo com a Sé de Roma, escorado na chamada lei geral das religiões.

Ambos os documentos constituem atentado flagrante ao art. 19 da Constituição Federal, que veda “relações de dependência ou aliança com cultos religiosos ou igrejas”. E acordos, tanto na linguagem comum como no jargão jurídico, são precisamente isso: relações de aliança.
Laicidade, senhor presidente, não é ecumenismo. O acordo com Roma já era grave; estender suas benesses indevidas a outros grupos não diminui a desigualdade, apenas a aumenta. Nós não queremos privilégios: queremos igualdade e o cumprimento estrito da lei, e muitos setores da
sociedade, religiosos e laicos, têm exatamente esse mesmo entendimento.

Além de violar nossa lei maior, a própria idéia da lei geral das religiões reforça a política estatal de preterir os ateus sempre e em tudo que lhes diz respeito como ateus. Com que direito o Estado que também é nosso pode ser seqüestrado para promover qualquer religião em particular, ou mesmo as religiões em geral? Com que direito os religiosos se apossam do dinheiro dos nossos impostos e do Estado que também é nosso para promover suas crenças particulares? Religião não é,
e não pode jamais ser política pública: é opção privada.

O Estado pertence a todos os cidadãos, sem distinção de raça, cor, idade, sexo, ideologia ou credo. Nenhum grupo social pode ser discriminado ou privilegiado. Esse é um princípio fundamental da democracia. Isso é um reflexo das leis mais elementares de administração pública, como o princípio da impessoalidade. Caso aquelas leis venham de fato integrar-se ao nosso ordenamento jurídico, os ateus se juntarão a tantos outros grupos que irão ao judiciário para que nossa lei não volte ao que era antes do século retrasado.

Presidente, será que os ateus não merecem inclusão nem em um pedido de desculpas?

Retirado daqui e o original está no site TdC

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  • Textos: Ceticismo e Ateísmo

Raridade não é milagre

Enviado por ataliba em qua, 2009-07-22 09:00.

Folha de São Paulo, domingo, 19 de julho de 2009
Marcelo Gleiser

Raridade não é milagre

Pessoas podem querer achar lugar para a fé na ciência, mas a vida não é esse lugar Talvez a confusão entre um fenômeno raro e um milagre seja inevitável, sobretudo se a pessoa for religiosa, procurando na fé respostas para questões que a ciência ainda não respondeu. Mas não deveria ser.

Na semana passada, escrevi sobre uma hipótese científica chamada "Terra Rara". Segundo ela, os avanços das ciências físicas e biológicas apontam para um fato um tanto curioso e de extrema importância: ao contrário do que supõem muitos cientistas, a Terra é um planeta raro.

Por raridade, aqui, quero dizer que nosso planeta tem uma série de propriedades que favorecem a vida e que, tomadas juntas, são bastante difíceis de serem reproduzidas em planetas e em suas luas na nossa ou em outras galáxias. Segundo a hipótese, a raridade da Terra implica na
raridade de formas de vida extraterrestre complexas, ou seja, na raridade de seres multicelulares, como insetos ou mamíferos (e seus primos alienígenas).

Os autores da hipótese, Peter Ward e Donald Brownlee, não questionam se bactérias podem ser relativamente fáceis de encontrar em outros planetas e luas que tenham água líquida, química favorável e fontes de energia capazes de manter seu metabolismo.

Mas Ward e Brownlee insistem que "monstros" ou ETs inteligentes devem ser muito raros.

A conclusão imediata é que, se a hipótese estiver correta -e eu acho que está, por motivos que explorarei em novo livro que será publicado em 2010-, o homem (ou melhor, os humanos) volta a ser importante. Volta porque, como sabemos, antes de Copérnico sugerir que o Sol, e não a
Terra, é o centro do cosmo (ao menos o cosmo do século 16), a Terra e, consequentemente, o homem, era o centro da Criação. Esse antropocentrismo antiquado e de base religiosa não tem nada a ver com o novo antropocentrismo (humanocentrismo seria melhor) que estou propondo.

Esse esclarecimento é importante.

Logo após a minha coluna da semana passada ter aparecido, recebi mensagens de vários leitores agradecendo-me por justificar sua crença de que fomos criados por Deus. Ou seja, pessoas ávidas por uma justificação científica para a sua fé em Deus veem a afirmação de que a vida complexa é rara no cosmo como prova de que deve ter surgido milagrosamente por intervenção sobrenatural.

Entendo a necessidade de pessoas quererem achar um lugar para a sua fé na descrição científica do universo.

Mas a raridade da vida complexa e de seres inteligentes não é esse lugar. O fato de um evento ser raro, ou de baixa probabilidade, não faz com que não possa ser explicado por argumentos científicos. Raridade não é milagre.

Achar uma orquídea florescendo na avenida Paulista, ver um tucano sobrevoando o aeroporto de Congonhas, ganhar na loteria, engravidar aos 44 anos ou ver a explosão de uma supernova são todos eventos raros.
Nenhum deles é um milagre sobrenatural, embora possa ser tentador para
alguns atribuí-los a algo inexplicável.

Essa é a diferença fundamental entre ciência e fé. Na fé, o raro é atribuído a causas sobrenaturais. Na ciência, é um fenômeno natural de pouca frequência. Se a vida complexa for rara no Universo, nós passamos a ser a exceção, não a regra. Apesar de ser tentador atribuir nossa raridade (ou a dificuldade dos vários passos evolucionários até a vida complexa) a um milagre sobrenatural, mais significativo é compreender a importância de sermos um raro acidente da Natureza.

Em vez de darmos graças a Deus por estarmos aqui, devemos tomar nosso destino em nossas mãos e fazer todo o possível para preservar a vida nesse planeta e, por que não, espalhá-la pelo Universo.

MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "A Harmonia do Mundo"

 

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  • Textos: Ceticismo e Ateísmo

O Ônus do Ceticismo

Enviado por ataliba em ter, 2009-05-26 09:00.

Ótimo texto, do saudoso Carl Sagan. E, nem preciso dizer que sou altamente fã do cara ...

O ÔNUS DO CETICISMO
por Carl Sagan

O que é ceticismo? Não é nada muito esotérico. Nós o encontramos todos os dias. Quando compramos um carro usado, se formos minimamente inteligentes nós exercitaremos pelo menos um mínimo de atitudes céticas - se nossa formação escolar tiver deixado alguma coisa. Você pode dizer "este sujeito parece honesto.

Eu vou acreditar em tudo que ele disser". Ou você pode dizer "bem, eu ouvi dizer que às vezes acontecem pequenas fraudes na venda de um carro usado, talvez sem o conhecimento do vendedor" e aí você faz algum coisa. Você chuta os pneus, abre as portas, olha sob o capô (você pôde fazer tudo isso mesmo se não souber o que deveria estar sob o capô, ou pode trazer um amigo com queda para mecânica).

Você sabe que algum ceticismo é necessário, e você entende por quê. É desagradável que você talvez tenha que iscordar do vendedor ou lhe fazer perguntas que ele não queira responder.

Há ao menos um pequeno grau de confrontação interpessoal envolvido na compra de um carro usado e ninguém diz que isso seja especialmente agradável. Mas há uma razão boa para ela - porque quem não usar um mínimo de ceticismo, quem tem uma credulidade absolutamente irrestrita, provavelmente depois pagará algum preço por isso. Aí irá se arrepender por não ter feito um pequeno investimento em ceticismo.

Mas você não precisa passar quatro anos em um curso superior para entender isso. Todo mundo sabe disso. O problema é que carros usados são uma coisa, e comerciais de televisão ou pronunciamentos de presidentes e líderes de partidos são outra bem diferente.

Nós somos céticos em algumas áreas mas infelizmente não em outras.

Por exemplo, existem alguns comerciais da aspirina que revelam que o produto da concorrência tem somente um certo tanto do componente analgésico que os médicos mais recomendam - eles não dizem que componente misterioso seria esse - enquanto que o produto deles tem uma quantidade bem maior (1,2 a 2 vezes mais por comprimido). Portanto você deve comprar o produto deles. Mas por que não tomar dois comprimidos do produto concorrente? Não se deve perguntar. Não aplique ceticismo a esta questão. Não pense. Compre.

Essas afirmações em comerciais constituem pequenos enganos. Eles nos tomam um pouco de dinheiro, ou nos induzem a comprar um produto ligeiramente inferior. Não é tão terrível. Mas considere isto: Tenho aqui o programa da Feira Vida Integral (Whole Life Expo) deste ano em São Francisco.

Vinte mil pessoas compareceram no ano passado. Eis algumas palestras: "Tratamentos Alternativos para Pacientes de AIDS: reconstruindo as próprias defesas naturais e impedindo colapsos do sistema imunológico - conheça as últimas descobertas que a mídia ignorou até agora". Parece-me que essa palestra poderia fazer um mal bastante real. "Como Proteínas do Sangue Presas Causam Dor e Sofrimento". Em "Cristais, Seriam Eles Talismãs ou Pedras?" (eu tenho minha própria opinião), está escrito "assim como um cristal enfoca ondas de som e luz para rádio e televisão", mas aparelhos de cristal ainda estão muito distantes - "eles podem amplificar vibrações espirituais para o ser humano sintonizado". Eu aposto que muito poucos de nós estão sintonizados. Outra: "Retorno da Deusa, um Ritual de Apresentação." E outra: "Sincronicidade, a experiência do reconhecimento."

Essa é apresentada pelo "irmão Charles". Ou, na página seguinte, "Você, Saint-Germain, e a cura pela chama violeta". E continua, com um monte de propagandas sobre "oportunidades" - indo do dúbio ao espúrio - que estão disponíveis na feira Vida Integral.
Se você aparecesse na Terra em qualquer época durante a presença dos seres humanos, encontraria um conjunto de sistema de crenças populares mais ou mais menos similar. Elas mudam, freqüentemente com muita rapidez, freqüentemente ao longo de alguns anos: mas às vezes crenças desse tipo duram muitos milhares dos anos. Pelo menos algumas estão sempre disponíveis.


E eu penso que é razoável perguntar por quê. Nós somos Homo sapiens. Essa é a característica que nos distingue, esse parte do sapiens. Nós deveríamos ser inteligentes. Então por que é que essas coisas sempre nos acompanham?

Bem, para começar, muitos desses sistemas de crenças abordam necessidades humanas reais que não estão sendo providas por nossa sociedade. Existem necessidades médicas, espirituais e de comunhão com o resto da comunidade humana que não são satisfeitas. Pode haver mais falhas assim em nossa sociedade do que em muitas outras na história humana. E portanto é razoável que as pessoas fucem e experimentem, para ver se o tamanho serve, diversos sistemas de crenças, e vejam se eles ajudam.


Por exemplo, pegue uma moda como a canalização de espíritos. Sua premissa fundamental, como o espiritualismo, é que quando morremos nós não exatamente desaparecemos, que alguma parte de nós continua. Essa parte, dizem, pode reentrar nos corpos de humanos e outros seres no futuro, e assim a morte perde muito da sua força para nós pessoalmente. E mais, nós temos uma oportunidade, se as afirmações da canalização forem verdadeiras, de fazer contato com entes queridos que morreram.


Falando pessoalmente, eu adoraria que a reencarnação existisse. Eu perdi meus pais, os dois, nos últimos anos, e eu adoraria ter uma pequena conversa com eles, para contar o que as crianças estão fazendo, saber que tudo vai bem onde quer que eles estejam. Isso toca algo muito profundo. Mas ao mesmo tempo, eu sei que há pessoas que precisamente por essa razão tentarão tirar vantagem da vulnerabilidade de quem está de luto. É bom que os espiritualistas e os canalizadores tenham uma argumentação muito
convincente.

Ou tome a idéia de que se concentrando bem em formações geológicas pode-se descobrir onde estão os depósitos de minerais ou petróleo. Uri Geller afirma isso. Agora se você for um executivo de uma companhia de exploração mineral ou de petróleo, seu arroz e feijão dependem de encontrar os minerais ou o óleo: por isso, gastar uma quantidade desprezível de dinheiro para encontrar depósitos psiquicamente, comparada com o que você geralmente gasta na exploração geológica, não soa tão mal. Você pode ficar tentado.

Ou pense nos OVNIs, na afirmação de que seres em naves espaciais de outros mundos estão nos visitando toda hora. Eu acho essa uma idéia fascinante. É no mínimo uma ruptura do ordinário. Eu gastei uma boa quantidade de tempo em minha vida científica trabalhando na busca de inteligência extraterrestre.

Pense em quanto esforço eu poderia economizar se esses camaradas estiverem vindo pra cá. Mas quando reconhecemos alguma vulnerabilidade emocional a respeito de uma alegação, é bem aí que temos que nos esforçar ao máximo no escrutínio cético. É aí que nós podemos ser enganados.

Agora, reconsideremos a canalização. Existe uma mulher no estado de Washington que afirma fazer a contato com alguém de 35.000 anos atrás, "Ramtha" - que por sinal, fala inglês muito bem, com o que me parece ser um sotaque indiano. Suponha que Ramtha estivesse aqui e suponha que Ramtha cooperasse conosco. Poderíamos fazer algumas perguntas: como sabemos que Ramtha viveu há 35.000 anos? Quem está contando esses milênios? São exatamente 35.000 anos? Esse é um número bastante redondo. Trinta e cinco mil mais ou menos quanto? Como eram as coisas há 35.000 anos? Como era o clima? Em que parte da Terra Ramtha viveu? (eu sei que ele fala inglês com um sotaque indiano, mas onde foi isso?) O que Ramtha come? (os arqueólogos sabem algo sobre o que as pessoas comiam naquela época.) Nós teríamos uma oportunidade real de descobrir se suas afirmações são verdadeiras. Se fosse realmente alguém de 35.000 anos atrás, poderíamos aprender sobre essa época.

Assim, de um jeito ou de outro, ou Ramtha tem mesmo 35.000 anos, e nesse caso nós descobrimos alguma coisa sobre esse período - que é antes da idade de gelo de Wisconsin, uma época interessante - ou ele é falso e uma hora vai escorregar. Quais são as línguas indígenas, qual é a estrutura social, com quem Ramtha vive - filhos, netos - como é o ciclo de vida, a mortalidade infantil, que roupa ele usa, qual sua expectativa de vida, suas armas, plantas e animais? Conte para nós. Mas não, o que ouvimos são as homilias mais banais, indistinguíveis das que os alegados ocupantes de OVNIs contam
aos pobres seres humanos que afirmam ter sido seqüestrados por eles.

Ocasionalmente, por sinal, eu recebo uma carta de alguém que está "em contato" com um extraterrestre que me convida a "perguntar qualquer coisa".

E eu tenho uma lista de perguntas. Os extraterrestres são muito avançados, lembrem-se. Portanto eu peço coisas como "por favor forneça uma prova curta do último teorema de Fermat (Nota 1)". Ou da conjetura de Goldbach. E eu tenho que explicar o que são essa coisas, porque os extraterrestres não as chamarão de último teorema de Fermat, então eu escrevo uma pequena equação com expoentes. E nunca me respondem. Por outro lado, se eu perguntar algo como "humanos devem ser bons?" eles sempre me respondem. Acho que alguma coisa pode ser deduzida desta habilidade diferencial de responder a
perguntas. Qualquer pergunta vaga é respondida com muito prazer, mas qualquer coisa específica, em que haja a possibilidade de se descobrir se eles realmente sabem alguma coisa, só encontro o silêncio.

O cientista francês Henri Poincaré afirmou o seguinte sobre por que a credulidade é avassaladora: "também sabemos quão cruel a verdade freqüentemente é, e nos perguntamos se a ilusão não é mais consoladora". Foi isso que tentei dizer com meus exemplos. Mas eu não penso que essa seja a única razão de a credulidade ser  avassaladora. O ceticismo desafia instituições estabelecidas. Se ensinarmos a todos, digamos os estudantes do ensino médio, o hábito de ser céticos, talvez essas pessoas não restrinjam seu ceticismo a comerciais da aspirina e canalizadores de 35.000 anos (ou
canalizados). Talvez eles comecem a fazer perguntas difíceis sobre instituições econômicas, sociais, políticas ou religiosas. E onde iremos parar?

O ceticismo é perigoso. Essa é exatamente sua função, no meu ponto de vista. É função do ceticismo ser perigoso. E é por isso que há uma grande relutância para ensiná-lo nas escolas. É por isso que você não encontra uma fluência geral em ceticismo na mídia. Por outro lado, como dominaremos um futuro muito perigoso se não tivermos as ferramentas intelectuais mais elementares para fazer perguntas investigativas àqueles nominalmente no comando, especialmente em uma democracia?

Quero falar um pouco mais sobre o ônus do ceticismo. Você pode começar um hábito de pensamento que lhe dê prazer em zombar de todas as pessoas que não vêem as coisas com tanto cuidado como você . Este é um verdadeiro perigo social potencial em uma organização como CSICOP. Temos que nos proteger com cuidado contra ele.

Parece-me que é necessário um equilíbrio muito cuidadoso entre duas necessidades conflitantes: o escrutínio mais cético de todas as hipóteses que nos são oferecidas e ao mesmo tempo uma grande abertura a novas idéias.

Obviamente que essas duas modalidades do pensamento estão em alguma tensão.
Mas se você puder exercitar somente uma delas, qualquer que seja, você tem um problema sério.

Se você for somente cético, então nenhuma idéia nova chega até você. Você nunca aprende nada de novo. Você se transforma em uma velho excêntrico convencido de que besteiras governam o mundo (evidentemente que há muitos dados para lhe dar apoio.). Mas de quando em quando, talvez uma vez em cem casos, uma nova idéia acaba acertando, válida e maravilhosa. Se você estiver no hábito demasiado forte de ser cético com tudo, você não a perceberá ou se sentirá agredido, e de qualquer maneira estará barrando o caminho da compreensão e do progresso.

Por outro lado, se você estiver aberto ao ponto de ser crédulo e não tiver um grama de ceticismo, então você não conseguirá distinguir as idéias úteis das sem valor. Se todas as idéias tiverem validade igual então você está perdido, porque então, me parece,  nenhuma idéia tem validade alguma.

Algumas idéias são melhores do que outras. O aparato para distingui-las é uma ferramenta essencial para lidar com o mundo e especialmente com o futuro. E é precisamente a mistura dessas duas modalidades de pensamento que é central ao sucesso da ciência.

Os cientistas realmente bons fazem ambas as coisas. Quando não há ninguém por perto, falando sozinhos, eles criam um monte de idéias novas e as criticam sem piedade. A maior parte das idéias nunca chega ao mundo exterior. Somente as idéias que passam por rigorosos filtros pessoais conseguem sair e são criticadas pelo restante da comunidade científica.

Acontece às vezes que as idéias que são aceitas por todos acabam por se mostrar erradas, ou ao menos parcialmente erradas, ou ao menos substituídas por idéias mais gerais. E, se por um lado naturalmente existem algumas perdas pessoais - vínculos emocionais a  idéias que você mesmo ajudou a criar - não obstante a ética coletiva é de que toda vez que uma idéia assim cai e é substituída por algo melhor, a ciência beneficiou-se. Em ciência freqüentemente acontece que os cientistas digam "sabe, esse é um argumento
bom mesmo; minha posição está errada", e então mudam mesmo de idéia e você
nunca mais ouve aquela visão antiga. Isso acontece mesmo. Não tão freqüentemente como deveria, porque os cientistas são humanos e a mudança às vezes é dolorosa. Mas acontece todos os dias. Mas ninguém consegue lembrar qual foi a última vez em que algo assim aconteceu na política ou na religião. É muito raro que um senador, por exemplo, diga "esse é um bom argumento. Vou mudar minha afiliação política."

Eu gostaria de dizer algumas coisas sobre as entusiasmadas reuniões na busca por inteligência extraterrestre (SETI) e sobre linguagem de animais em nosso encontro do CSICOP. Na história da ciência há uma instrutiva seqüência de grandes batalhas intelectuais que no fim, todas elas, acabam sendo sobre quão centrais são os seres humanos. Podemos chamá-las de batalhas sobre a arrogância anti-Copernicano.

Eis algumas das questões: Nós somos o centro do universo. Todos os planetas, estrelas e o sol e a lua giram em torno de nós (puxa, isso que é querer ser realmente especial.) Essa
era a opinião que prevalecia - Aristarco à parte - até a época de Copérnico.

Muitas pessoas gostavam dela porque ela lhes dava uma injustificada posição central pessoal no universo. O mero fato de estar na Terra os fazia privilegiados. E a sensação era ótima. Depois surgiu a evidência que a Terra era somente um planeta e que aqueles outros pontos brilhantes de luz que se mexiam também eram planetas. Decepcionante. Deprimente até. Era melhor quando éramos centrais e únicos.

1. Mas ao menos nosso sol está no centro do universo. Não, aquelas outras estrelas são sóis também, e além disso nós estamos nos cafundós galácticos. Estamos bem longe do centro da galáxia. Deprimente mesmo.
2. Bem, pelo menos a Via Láctea está no centro do universo. Então, um pouco mais de progresso na ciência. E descobrimos que o centro do universo não existe. E mais: há cem outros bilhões de galáxias. Nada especial sobre esta. Profunda melancolia.
3. Bem, ao menos nós seres humanos, nós somos o pináculo da criação. Nós somos separados.

Todas aquelas outras criaturas, plantas e animais, são inferiores. Nós somos mais elevados. Nós não temos nenhuma conexão com eles. Cada ser vivo foi criado separadamente. Aí aparece Darwin. Descobrimos um continuum evolucionário. Nós estamos proximamente conectados aos outros animais e vegetais. E além disso, os parentes biológicos mais próximos a nós são os chimpanzés. Aqueles são nossos parentes próximos - aqueles? É uma vergonha. Você já foi ao jardim zoológico e prestou atenção neles? Você sabe o que eles fazem? Imagine na Inglaterra Vitoriana, quando Darwin teve esse insight, que verdade incômoda era essa.

Há outros exemplos importantes - sistemas de referência privilegiados na física e a mente inconsciente na psicologia - que nem abordarei. Eu afirmo que na tradição deste longo conjunto de debates - e cada um deles foi ganho pelos Copernicanos, aqueles que dizem que não há nada muito especial sobre que nós - havia uma profunda corrente emocional subliminar nos debates em ambas as sessões de CSICOP que mencionei. A busca por
inteligência extraterrestre e a análise de possíveis "línguas" animais ataca um dos últimos sistemas restantes de crenças de pré-Copernicanas:

1. Pelo menos somos as criaturas as mais inteligentes do universo. Se não houver mais ninguém inteligente em lugar algum, mesmo se nós estivermos ligados aos chimpanzés, mesmo se nós estivermos nos cafundós de um universo vasto e incrível, ao menos ainda existe algum coisa especial sobre nós. Mas no instante em que encontrarmos inteligência extraterrestre essa última fração de arrogância acaba. Eu creio que um pouco da resistência à idéia de inteligência extraterrestre é devida à arrogância anti-Copernicana. Do mesmo modo, sem favorecer qualquer lado no debate sobre se outros animais -
primatas antropóides, especialmente os grandes macacos - são inteligentes ou se têm linguagem, claramente essa é, em um nível emocional, a mesma questão. Se definirmos seres humanos como criaturas que têm linguagem e ninguém mais tem a linguagem, pelo menos somos originais em relação a isso. Mas se no fim todos aqueles chimpanzés sujos, repugnantes, risíveis, também conseguem, com Ameslan (Nota 2) ou de outra maneira, comunicar idéias, o que sobra de especial sobre nós? As predisposições emocionais nestas questões estão presentes, freqüentemente de maneira inconsciente, em debates científicos. É importante perceber que os debates científicos, assim como os
pseudocientíficos, podem ser encharcados de emoção, por estas razões e muitas outras.
Agora, vamos examinar melhor a busca em sinais rádio por inteligência extraterrestre. Em que isso é diferente de pseudociência? Vejamos alguns casos reais. No começo dos anos sessenta, os soviéticos deram uma entrevista coletiva em Moscou anunciando que uma distante fonte de rádio, chamada CTA-102, estava variando senoidalmente (como uma onda de seno), com um período de aproximadamente 100 dias. Por que convocaram uma coletiva para anunciar que uma fonte de rádio distante estava variando? Porque pensaram que fosse uma civilização extraterrestre de enorme poder. Vale a pena chamar
uma coletiva por isso. Isso foi antes mesmo que a palavra "quasar" fosse criada. Hoje nós sabemos que a CTA-102 é um quasar. Ainda não sabemos muito bem o que os são quasares, e há mais de uma explicação mutuamente exclusiva, para eles na literatura científica. Não obstante, poucos consideram seriamente que um quasar, como CTA-102, seja alguma civilização extraterrestre circundando a galáxia, porque existem diversas explicações alternativas de suas propriedades que são mais ou mais menos consistentes
com as leis físicas que conhecemos sem invocar vida extraterrestre. A hipótese extraterrestre é uma hipótese de último recurso. Somente se tudo mais falha você a tenta.

Segundo exemplo: cientistas britânicos encontraram em 1967 uma intensa fonte de rádio próxima que flutuava em um tempo mais curto, com um período constante em dez algarismos significativos. O que era? Sua primeira idéia foi a de algo como uma mensagem sendo emitida para nós, ou uma baliza de navegação interestelar para naves espaciais que andam entre estrelas.

Chegaram a lhe dar, entre eles na universidade de Cambridge, o irônica nome de LGM-1, Little Green Men (Homenzinhos Verdes). Porém (eles eram mais sábios do que os soviéticos), eles não convocaram uma coletiva, e logo ficou claro que o que tínhamos era o que se chama agora um "pulsar". Na verdade era o primeiro pulsar, o pulsar da nebulosa de Caranguejo. Bem, e o que é um pulsar? Um pulsar é uma estrela encolhida ao tamanho de uma cidade, que se mantém coesa de maneira diferente de qualquer outra estrela, não pela pressão de gás, não pela degeneração de elétrons, mas por forças nucleares.
É de certa maneira um núcleo atômico do tamanho de Pasadena (Nota 3). E acho que essa é uma idéia pelo menos tão bizarra quanto uma baliza de navegação interestelar. A resposta a o que é um pulsar deve ser algo bem estranho. Não é uma civilização extraterrestre, é outra coisa: mas uma outra coisa que abre nossos olhos e nossas mentes e indica possibilidades na natureza que ainda não tínhamos adivinhado.
E existe a questão dos falsos positivos. Frank Drake em sua original experiência de Ozma; Paul Horowitz no programa do META, Análise do Megacanal Extraterrestre (MEgachannel ExTraterrestrial Assay), patrocinado pela sociedade planetária; o grupo da universidade de Ohio e muitos outros grupos detectaram sinais anômalos que faziam o coração palpitar. Eles pensaram por um momento que tinham detectado um sinal genuíno. Em alguns casos não temos a menor idéia do que era, os sinais não se repetiram. Na noite seguinte você gira o mesmo telescópio para o mesmo ponto no céu com a mesma modulação e a
mesma freqüência e todo o resto igual, e não ouve nada. Você não publica os dados. Pode ser um mau funcionamento no sistema da detecção. Pode ser um avião militar AWACS voando por ali e transmitindo em canais de freqüência que deveriam ser reservados para a radioastronomia. Pode ser uma máquina diatérmica (Nota 4) na sua rua. Há muitas possibilidades. Você não declara imediatamente que encontrou inteligência extraterrestre quando encontra um sinal anômalo.
E caso se repetisse, então você anunciaria? Não. Talvez seja uma armação. Talvez seja algo que esteja acontecendo com o seu sistema que você não foi suficientemente inteligente para descobrir. Ao invés disso, você chamaria cientistas em um monte de outros radiotelescópios e diria que neste ponto específico do céu, nesta freqüência e filtro e em modulação e em todo o resto, parece que você detecta uma coisa estranha. Poderiam dar uma olhada e ver se acham algum coisa parecida? E somente se diversos observadores independentes conseguem o mesmo tipo da informação do mesmo ponto no céu você pensa que tem alguma coisa. Ainda assim você não sabe se aquela coisa é
uma inteligência extraterrestre, mas pelo menos você determinou que não é algo na Terra. (e que também não está na órbita da Terra; está mais longe que isso.) Essa é a primeira seqüência de eventos que seriam necessários para estar certo de que você realmente teve um sinal de uma civilização extraterrestre.
Note que há alguma disciplina envolvida. O ceticismo impõe um ônus. Você não pode sair gritando "homenzinhos verdes" porque vai parecer bem tolo, como aconteceu com os soviéticos e o CTA-102, quando no fim das contas for uma coisa bem diferente. É necessário um cuidado especial quando há tanta coisa em jogo como nesse caso. Nós não temos a obrigação de nos decidirmos antes de achar as evidências. Não tem problema não ter certeza.

Freqüentemente me perguntam se eu acho que exista inteligência extraterrestre. Eu dou os argumentos padrões - há muitos lugares lá fora, e uso a palavra bilhões, e assim por diante. E aí eu digo que seria incrível para mim se não houver uma inteligência extraterrestre, mas naturalmente não há até agora nenhuma evidência forte a favor dela. E aí me perguntam então, "é, mas o que acha de verdade?" E eu digo "acabei de dizer o que realmente penso". "Ok, mas o que a sua intuição diz?" Mas eu tento não pensar com
minha intuição. Não há problema em adiar o julgamento até que a evidências cheguem.
Depois que meu artigo "A Bela-Arte da Detecção de Asneiras" saiu na revista Parade (1 de fevereiro de 1987), ele recebeu, como você pode imaginar, muitas cartas. Sessenta e cinco milhões de pessoas lêem Parade. No artigo eu dei uma longa lista das coisas que eu afirmei serem "asneiras demonstrado ou presumido" - trinta ou quarenta itens. Pessoas que apoiavam todas aquelas idéias estavam igualmente ofendidas, portanto eu recebi montanhas de cartas.

Eu também dei um conjunto de instruções bem simples sobre como pensar sobre asneiras- argumentos de autoridade não são válidos, cada etapa na cadeia de evidências tem que ser válida, e assim por diante. Muitas pessoas escreveram dizendo "você está absolutamente certo nas generalidades; infelizmente isso não se aplica à minha doutrina particular". Por exemplo, uma pessoa escreveu que a idéia de que a vida inteligente existe fora da terra é um exemplo excelente de asneira. Ele concluiu: "estou tão certo disso como de qualquer outra coisa em minha experiência. Não há nenhuma vida consciente em qualquer outra parte do universo. A humanidade retorna assim a sua justa posição como o centro do universo".
Outra pessoa também concordou com todas as minhas generalidades, mas disse que como um cético inveterado eu fechei minha mente à verdade. Mais notável é que eu tenha ignorado a evidência para uma Terra cuja idade seja de seis mil anos. Bem, eu não a ignorei; eu considerei a evidência apresentada e então a rejeitei. Há uma diferença, e esta é uma diferença, pode-se dizer, entre preconceito e o "pósconceito". O preconceito faz um julgamento antes de olhar os fatos. Pósconceito faz o julgamento depois. O preconceito é terrível, no sentido de que você comete injustiças e erros sérios.
Pósconceito não é terrível. É claro que você não pode ser perfeito; você também comete erros. Mas é permissível fazer um julgamento depois de ter examinado as evidências. Em alguns círculos é até incentivado.

Eu acredito que parte do que propele a ciência é a sede de maravilhamento. É uma emoção muito poderosa. Todas as crianças a sentem. Em uma sala de aula de primeira série todos a sente; em uma sala de aula do último ano do ensino médio quase ninguém a sente, ou sequer a reconhece. Algo acontece entre essa primeira e última séries, e não é só a puberdade. Não somente as escolas e a mídia não ensinam muito ceticismo, mas também há pouco incentivo dessa agitante sensação de maravilhamento. Ciência e pseudociência, ambos despertam esse sentimento. Popularizações pobres da ciência estabelecem um nicho ecológico para a pseudociência.
Caso se explicasse a ciência ao indivíduo médio de uma maneira que fosse acessível e emocionante, não haveria espaço para a pseudociência. Mas há um tipo da Lei de Gresham (Nota 5) que estabelece que na cultura popular a ciência ruim tira o espaço da boa. E penso que a culpa disso é, em primeiro lugar, de nós na comunidade científica por não fazer um trabalho melhor na popularização da ciência, e em segundo, a mídia, que é nesse sentido quase uniformemente terrível. Todo jornal na América tem uma coluna diária de astrologia. Quantos têm uma coluna ao menos semanal de astronomia? E eu
acredito que também é culpa do sistema educacional. Nós não ensinamos como
pensar. Esta é uma falha muito séria que pode até, em um mundo equipado com
60.000 armas nucleares, comprometer o futuro da humanidade.
Eu afirmo que existe muito mais maravilha na ciência do que na pseudociência. E além disso, em qualquer medida que este termo tenha algum sentido, a ciência tem a virtude adicional, que não é pequena, de ser verdadeira.

Notas:
1 - O último teorema de Fermat já foi resolvido. E foi por humanos.
2 - American Sign Language (Linguagem de Sinais Americana).
3 - Cidade do interior da Califórnia.
4 - Diatermia é a geração terapêutica de calor dentro do corpo através de
correntes geradas por campos eletromagnéticos.
5 - Lei de Gresham, princípio econômico de que moedas que têm valor pleno em
termos de metal precioso tendem a desaparecer quando circulam em um sistema
monetário depreciado. De acordo com essa lei, as boas moedas são exportadas
ou derretidas para se capitalizar o seu valor de mercado mais alto no câmbio
estrangeiro.

Informativo:
O ensaio base original está disponível em
http://www.positiveatheism.org/writ/saganbur.htm

Texto extraído da Sociedade da Terra Redonda
http://www.strbrasil.com.br/principal.htm

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  • Textos: Ceticismo e Ateísmo

[Conto] Uma bela visão

Enviado por ataliba em qui, 2009-05-21 08:30.

Uma bela visão. Era a o último bom pensamento que ele tinha enquanto tentava se esquecer da dor. Uma dor intensa que inebriava os seus pensamentos, a ponto de não mais o deixar raciocinar.

 

LILITH

 

O tempo era tão dificil de mensurado, que somente as últimas lembranças lhe eram mais claras.
Tudo começava com uma bela mulher. Seus longos cabelos negros eram balançados pelo vento contrastando com suas roupas vermelhas.
Era noite, e ele, sem muito pensar a seguiu. Ela continuava suas passadas tranquilamente, sem nem ao menos notá-lo.

Na sua tranquilidade ele continou o caminho. Seus pensamentos não eram claros, pois o desejo já havia tomado o lugar da racionalidade. 

Um beco, e ele seguiu. Ela parada, o olhava com seus grandes olhos negros. Um anjo, foi o que pensou.
Em poucos momentos, nada mais era controlado. Um longo beijo o desarmou, e as roupas começaram a não fazer mais parte do quadro.
A luxúria tomou conta daquele beco, e instantaneamente, dois corpos se tornaram um.

Ela parecia entender tudo o que ele precisava. O sexo estava tão bom, que ele nada havia ainda notado. 

Seus olhos estavam cegos pelo prazer. Mas, de repente veio a dor.

Quando a frente olhou, não mais estavam aqueles olhos negros. Estavam sim, dois abismos que o levavam a um lago de fogo, onde demônios o esperavam sorrindo. 

A bela face, não mais ali estava. Estava ali somente um sorriso. Um sorriso pela dor que ele estava sofrendo. 

No chão, ele caiu e agora se lembrava de tudo. A bela visão, é onde tudo havia começado. 

Num último lâmpejo de vida, ele olhou para o lado. Ela levantava e vestia novamente sua roupa vermelha. Olhou para trás e sorriu. 

Seus olhos se fecharam e ela foi a procura de uma nova vítima. A noite apenas começara e terminara com uma bela visão. 

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  • Textos: Textos Pessoais

Pandemia flagra a evolução, artigo de Marcelo Leite

Enviado por ataliba em ter, 2009-05-05 09:01.

“O influenza, como qualquer vírus, nem merece ser chamado de ser vivo,pois depende de organismos verdadeiros para se reproduzir”

Marcelo Leite é autor de "Folha Explica Darwin" (Publifolha, 2009) e do livro de ficção infanto-juvenil "Fogo Verde" (Editora Ática, 2009),sobre biocombustíveis e florestas. Artigo publicado na “Folha de SP”:

 

VIRUS

O influenza, como qualquer vírus, nem merece ser chamado de ser vivo, pois depende de organismos verdadeiros para se reproduzir. Apesar disso, pode ser considerado um tanto promíscuo: frequenta várias espécies, notadamente humanos, suínos e muitas aves, em cujos corpos as diversas variedades se encontram e fazem intercâmbio de material genético.

A gripe atual, cuja letalidade acha-se ainda mal caracterizada, parece ter surgido pela recombinação de partes de genes do vírus no organismo de porcos mexicanos. Já se identificaram no vírus H1N1 pedaços típicos de variedades que infectam tanto porcos quanto seres humanos e aves.
A geração contínua de variedade constitui a principal arma do influenza.

Muitas mutações assim surgidas revelam-se contraproducentes para o vírus, pouco afetando sua capacidade de infectar humanos. De tempos em tempos, porém, emerge uma mescla com alto poder de burlar o sistema imune e mobilizar as células humanas para fabricar partículas virais.

O motor do processo de espalhamento do vírus pelo mundo (pandemia) é um belo exemplo de seleção natural.

Vírus de gripe há muitos por aí, mas só alguns adquirem a capacidade de transferir-se diretamente de pessoa a pessoa depois de saltar de porcos ou aves para homens e mulheres, libertando-se com isso do reservatório animal. A cepa viral bem sucedida passa então por uma explosão populacional, transformando cada vez mais corpos humanos em fábricas montadoras de vírus.

A espécie humana constitui um paraíso viral, com sua propensão para aglomerar-se em espaços fechados e deslocar-se a jato de um continente a outro. Ao alcançar novos países e populações, a variedade pandêmica do influenza entra em contato com outras cepas, criando novas oportunidades de recombinação genética.

Milhões de organismos humanos passam então a desempenhar o papel dos porcos mexicanos. Tornam-se por assim dizer laboratórios de experimentação viral.

O pesadelo dos epidemiologistas é que nesse processo surjam variedades ainda mais poderosas. Por exemplo, vírus que se tornem mais letais, enfraquecendo o organismo a ponto de torná-lo presa fácil de bactérias de pneumonia (não sem antes passar adiante zilhões de partículas). Ou cepas de influenza resistentes a antivirais como Tamiflu e Relenza.

Variação e seleção, porém, também trabalham a favor da espécie humana.
Nosso sistema imune experimenta o tempo todo novos anticorpos para contra-atacar os vírus. Mas não há garantia de que sairá vitorioso dessa corrida armamentista.
(Folha de SP, 1/5)

 

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  • Textos: Ciência

Princípios da Extropia 3.0 - Uma declaração Transhumanista

Enviado por ataliba em sab, 2009-04-25 19:11.

Texto encontrado outro dia sobre Transhumanismo. Esta é a declaração da Extropia 3.0 , escrita pelo Dr. Max More, um dos maiores expoentes em Extropia no mundo.

Mais uma que eu estou postando para divulgar esta forma de pensamento, que eu sou um dos entusiastas e acho extremamente pouco divulgada no Brasil. 

Eu pessoalmente, sou desta forma de Transhumanismo desde o começo, apesar de me diferenciar um poucos dos outros, pois como sempre, nunca sigo uma forma de pensamento ao pé da letra. Sempre insiro minhas idéias pessoais na forma de pensar. 

Por isto, formas de pensamento muito aprisionadoras não são algo que eu goste muito :-)

Princípios da Extropia 3.0 - Uma declaração Transhumanista

Por Max More, Presidente, Instituto de Extropia - more@extropy.org 

 

Principos da Extropia

 

Introdução

Extropia - A extensão da inteligência, da informação, da ordem, do vitalidade, e da capacidade para a melhoria , de um sistema.
Extropianos - os que procuram aumentar a extropia.
Extropismo - O desenvolvimento da filosofia transhumanista da extropia.

O Extropismo é uma filosofia transhumanista.
Os princípios da Extropia definem uma versão ou um "tipo específico" do pensamento do transhumanista.

Como os humanistas, os transhumanistas favorecem a razão, o progresso, e os valores centrados no nosso bem estar em vez de numa autoridade religiosa externa.
Os Transhumanistas levam o humanismo mais longe, desafiando os limites humanos através da ciência e da tecnologia combinando-o com um pensamento crítico e criativo.
Nós desafiamos o inevitabilidade do envelhecimento e da morte, e nós procuramos realces continuando a nossas capacidades intelectuais e físicas, e a nosso desenvolvimento emocional.
Nós vemos o humanidade como um estágio transitório no desenvolvimento evolucionário da inteligência.
Nós advogamos a utilização da ciência para acelerar o nosso movimento de humano para uma condição trans - humana ou pós-humana.
Como o físico Freeman Dyson disse: "a Humanidade parece-me como um começo magnífico, mas não a última palavra ."

Estes Princípios não são apresentados como verdades absolutas ou valores universais.
Os princípios codificam e expressam atitudes e abordagem afirmadas por aqueles que se descrevem como "Extropianos".

O pensamento Extropiano dá-nos uma estrutura básica para pensar sobre a condição humana.

Este documento deliberadamente não especifica a crenças particulares, tecnologias, ou conclusões .

Estes princípios definem meramente uma estrutura em desenvolvimento para abordar a vida de uma forma racional, de maneira eficaz e não sobrecarregada pelos dogmas que não podem sobreviver ao criticismo científico ou filosófico.

Como humanistas nós afirmamos uma Visão de "empowering" e racional da Vida , procurando contudo evitar a opinião dogmática de qualquer tipo .

A filosofia Extropiana encorpora uma visão de vida inspiradora e elevadora, enquanto se encontra aberta á mudança de acordo com a ciência, razão e à procura sem limites para a melhoria. 

Progresso Perpétuo --procurando mais inteligência, sabedoria, e eficácia, um abarcar da Vida indefinido, e a remoção de limites políticos, culturais , biológicos, e psicológicos para a auto-atualização e auto-realização. Perpetuamente superando confinamentos ao nosso progresso e possibilidades.
Expansão no universo e avançar sem fim.

Auto-Transformação -- Afirmando uma auto-melhoria contínua moral, intelectual e auto-desenvolvimento físico, através do pensamento crítico e criativo, responsabilidade e experimentação.
Procurando a expansão biológica e neurológica apoiada num refinamento emocional e psicológico.

Otimismo Prático -- Alimentando a ação com expectativas positivas.
Adotando um otimismo racional, baseado na ação , em vez de uma fé cega e de um pessimismo estagnante.

Tecnologia Inteligente -- aplicando a ciência e a tecnologia criativamente para transcender os limites "naturais" impostos pela nossa herança biológica , cultural e ambiental.
Vendo a tecnologia não como um fim em si mesmo , mas como meio eficaz para a melhoria da vida. 

Sociedade Aberta -- as ordens sociais de suporte que promovam a liberdade do discurso, a liberdade da ação, e a experimentação.
Opondo-se ao Controle social autoritário e favorecendo a regra de lei e descentralização
do poder.
Preferir a negociação em vez da batalha, e a troca em oposição á compulsão.
Abertura à melhoria em vez de a uma utopia estática. 

Auto-Direção -- pensar independente procurando liberdade individual, responsabilidade pessoal, auto-sentido, auto-estima, e respeito pelo outro.

Pensamento Racional -- favorecendo o excesso da razão em vez da fé cega e questionando em vez de seguir o dogma.
Continuar aberto a desafios ás nossas opinião e práticas na persecução da melhoria perpétua.
Dar boas-vindas ao criticismo das nossas opiniões e estar aberto a idéias novas.

Fonte: Cultkish.org

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  • Textos: Transhumanismo

O HOMEM EVOLUIU DO MACACO ?

Enviado por ataliba em sex, 2009-03-27 09:00.

Qualquer estudo básico sobre argumentação denucia a existência das Falácias, elas se dividem em Formais e Não-Formais. As Formais implicam em erros na Forma, estrutura do raciocínio. As Não-Formais, em geral são pseudo argumentos que disfarçam sua inconsistência com algum tipo de artifício, como um apelo abusivo a autoridades, um exagero ou uma anedota.

Existem inúmeras falácias, e elas costumam ser amplamente utilizadas, e em especial em grau sofisticado por advogados e políticos. Mas algumas delas não apenas são comuns, como se integraram de tal forma em nossa cultura que são quase impossíveis de serem derrubadas.

Não tenho dúvidas de que a Falácia mais bem sucedida de todos os tempos é do gênero da "Falácia do Espantalho". Trata-se de construir uma versão distorcida da idéia que se quer atacar, torná-la mais frágil, e então refutá-la e ridicularizá-la, dando a impressão que se "destruiu" as idéias do adversário, quando na verdade, se atacou apenas um versão deturpada, "espantalho", dela.

Como exemplo poderíamos citar o ativista de direitos humanos que combate os maus tratos aos prisioneiros, que quando é criticado por um adversário é apresentado como alguém que defende os criminosos contra a sociedade, uma versão muito mais fácil de se atacar.

Mas a falácia mais bem sucedida de todos os tempos, voltando ao tema, é nada mais nada menos do que:

"A Teoria da Evolução diz que o Homem evoluiu do Macaco."

Ninguém parece saber quem é o responsável por tal idéia, mas muitos dão por quase certo que foi um Criacionista, ao menos no que se refere à sua popularização, pois tal afirmação sequer faz sentido dentro da teoria evolutiva. Não obstante, essa noção é tão forte e difundida no senso comum que a maioria dos evolucionistas já desistiu de combatê-la, apenas lidando com ela de modo a contorná-la ou reinterpretá-la.

Para compreendermos, porém, a dimensão do problema, faz-se necessário observar o uso das palavras em Inglês.

Na Lígua Inglesa existem dois termos: Monkey e Ape.

Monkey se refere a uma categoria de primatas inferiores, que apresentam cauda, são em geral menores, menos inteligentes e possuem uma vasta variedade de espécies espalhadas por todo o mundo. Alguns exemplos são os Micos, Saguis, Macacos-Aranha, Macacos-Prego, Babuínos e etc.

Ape se refere à restrita categoria dos Primatas Superiores, a saber: Gorilas, Chimpanzés, Orangotangos e Bonobos (Chimpazés-Pigmeus). São os mais inteligentes animais da natureza, bem maiores em tamanho que os primatas inferiores, nenhum deles tem cauda e só existem no continente Africano.

Entretanto, na Língua Portuguesa, ambas essas categorias são traduzidas pelo mesmo nome Macaco, o que gera muitas confusões.

Dizer então que a Espécie Humana evoluiu de uma espécie de Ape, é algo até razoável. Impreciso, para dizer o mínimo, mas ao menos é defensável, dependendo do ponto de vista.

Mas dizer que a Espécie Humana evoluiu de uma espécie de Monkey é, sem sombra de dúvida, TOTALMENTE ERRADO!

Observando-se a linha de ancestralidade da espécie humana, retrocederemos no tempo primeiro para os Hominídeos, que são:

Homo Abilis >> Homo Ergaster >> Homo Erectus >> Homo Heidelbergensis >> Homo Sapiens

2 Milhões de anos atrás--------------------------------------------------------------200 mil anos Atrás
(aproximadamente)

Seguramente essas espécies não eram Macacos, nem na acepção Monkey, nem na Ape. Elas eram, como o primeiro nome de cada uma sugere, Hominídeos. Dentre as características que as diferenciam dos Apes estão o tamanho do cérebro, bem mais desenvolvido, a capacidade de usar ferramentas de modo muito mais sofisticado que os Apes, o fato de serem bípedes e andarem eretos, diferente dos Apes atuais, e outras.

Antes do Homo Abilis, temos então:

Australopitecus Afaraensis >> Australopitecus Africanus >> Homo Abilis

4,4 Milhões de anos atrás-----------------------------------------2 Milhões de anos atrás
(aproximadamente)

O Australopitecus Afaraensis certamente não era um Monkey, e tão pouco poderia também ser chamado de um Ape, pois apresentava também o caminhar ereto, além de uma série de outras diferenças cranianas. O melhor exemplar desta espécie é um registro fóssil praticamente inteiro de uma fêmea que os cientistas batizaram de Lucy. E é talvez o que mais se aproxime da idéia de um "Elo Perdido", que era um termo usado por alguns evolucionistas antigos.

A ídeia de um elo perdido, no entanto, também se revelou errônea, e não é mais usada pelos evolucionistas ao menos desde a década de 70, quando as descobertas dos Leakeys e de Donald Johanson (descobridor de Lucy) aumentarem imensamente nossa perspectiva do passado. No entanto esse conceito também se embrenhou no senso-comum, de modo que até hoje alguns Criacionistas "denunciam" que "O Elo perdido nunca foi encontrado".

De certo que pode-se dizer que exista um "elo" transicional entre uma espécie e outra, mas no caso dos humanos, há dezenas de "elos" nos separando das demais espécies atuais do planeta, e o mais interessante, esses "elos", mesmo se totalmente reconstituídos, jamais nos levariam aos "Macacos", no caso demais Primatas Superiores.

Para entender o porquê disso, basta recuar mais um pouco na linhagem hominídea, e vejamos uma de suas mais prováveis reconstituições:

Propliopitechus >> Ramapithecus >> Australopitecus Afaraensis

30 Milhões de anos atrás ------------------------------- 4,4 Milhões de anos atrás
(aproximadamente)

Diz-se, mais provável, porque essa fase da evolução dos pré hominídeos ainda é pouco conhecida, mas uma coisa já é bastante clara, que foi dos Propliopitechus que além de se desenvolver a linhagem que viria a resultar nos humanos, se desenvolveu também a linhagem que viria a resultar nos Primatas Superiores.

Isso é o mais importante:

Os Primatas Superiores atuais, os Apes, NÃO são Ancestrais do HOMO SAPIENS!

São na verdade o resultado de uma linhagem evolutiva paralela, que é "aparentada" com os humanos. Nesse sentido, é impossível afirmar que os Humanos evoluíram dos "Macacos" que temos hoje. Talvez, se considerarmos que o Propliopitechus seja um Ape, a afirmação é defensável, mas é muito difícil aceitar que tal espécie possa ser colocada na mesma categoria de um outro grupo de espécies distante mais de 20 milhões de anos. Seria como dizer que um Velociraptor é um tipo de Lagarto como os que vivem hoje, Iguanas, Calangos, Lagartixas e etc.

Com isso, cai por Terra também uma das dúvidas leigas mais comuns sobre evolução humana, e que os Criacionistas exploram largamente, que é a pergunta: "Se os homens evoluíram dos Macacos, porque ainda há Macacos?"

Essa questão é Triplamente Errônea.
Primeiro, porque como já vimos, ela parte de uma premissa errada, pois os humanos não evoluíram dos "Macacos", nem na acepção de Monkey, nem na de Ape;

Segundo, porque mesmo que considerássemos os ancestrais dos humanos como macacos, estes não existem mais;

E terceiro, porque mesmo que existissem, isso em nada seria problema para a linhagem Evolutiva. O fato de uma espécie evoluir de outra, não significa que a espécie anterior tenha que deixar de existir. Caso contrário, não deveriam mais existir anfíbios, répteis nem invertebrados em geral.

A única coisa que provoca o desaparecimento de uma espécie é a competição com outras espécies, ou catástrofes naturais de imensas proporções. As espécies pré-humanas em geral foram desaparecendo provavelmente porque foram sendo superadas por espécies descendentes cada vez mais aperfeiçoadas, uma vez que eram próximas, tinham necessidades semelhantes e competiam entre si.

Mas não havendo tal competição, não há motivos para o desaparecimento da espécie. Dessa forma, os atuais macacos, em qualquer que seja a acepção, nunca foram nossos competidores, ao menos em larga escala, da mesma forma como nunca foram nossos ancestrais.

Mesmo sendo totalmente equivocadas, questões como essa são feitas exaustivamente não só por criacionistas, podendo ser encontradas, inclusive na própria Web, em quantidade muitíssimo maior do que textos que esclareçam tais equívocos. Algumas chegam ao ponto de adicionar: "Então porque os macacos pararam de evoluir?"! Ou ainda pior, "Porque não vemos um macaco se transformar num homem?"

Esse é o resultado de uma bem sucedida Falácia do Espantalho, o conceito distorcido se propagou tanto que até mesmo publicações especializadas por vezes preferem simplificar e se referir a nossos ancestrais como "Homens-Macacos", sempre na acepção Ape, é claro, muitas vezes usando, em português, os termos "Grandes Macacos", se referindo aos Primatas Superiores. Isso porém, dá margem a uma série de equívocos, principalmente em nosso idioma, permitindo toda uma gama de más interpretações. É possível ver textos inteiros, livros a até projetos de lei tendo como base esse equívoco.

Da mesma forma, não apenas a Evolução Humana, mas toda a Evolução da Vida, costuma ser distorcida pelos Criacionistas, que pregam para seus fiéis uma versão Espantalho do Evolucionismo, com afirmações bizarras, e sem dúvida inaceitável, e então o atacam como se estivessem derrubando o Evolucionismo real! E é claro que a maioria esmagadora de seu público alvo, os crentes ou os leigos, nunca irá se preocupar em verificar se tal imagem realmente procede.

É por isso que 90% do trabalho do defensor do Evolucionismo é desfazer as idéias equivocadas que os criacionistas, e o público em geral, tem da Evolução.

Diz a lenda, que certa vez perguntaram para um Evolucionista se ele era descendente de Macacos por parte de mãe ou por parte de Pai*. Deve-se admitir, foi uma gozação bem bolada. Mas mais engraçado ainda seria se o Evolucionista tivesse respondido: "Nenhum dos dois, sou descendente de hominídeos. Mas você, fazendo perguntas como esta, me deixa tentado a dizer que é! Só não o faço porque seria desrespeito com os nossos primos."

(*Obs: Na verdade tal pergunta teria sido feita pelo Bispo Samuel Wilberforce à Thomas Henry Huxley, o defensor de Darwin, durante um debate em Oxford em 1860. E Huxley teria respondido: "...não me envergonho de tal origem. Mas me envergonharia de descender de um homem que corrompeu os dons da cultura e da eloquência em prol do preconceito e da falsidade." Infelizmente o debate não foi devidamente documentado, e tudo o que sabemos sobre ele vem de reconstituições de reportagens da época e de anotações dos envolvidos e presentes, pouco mais de 700 pessoas. Marcus Valerio XR - 04 de Dezembro de 2004)
Marcus Valerio XR
02 de Novembro de 2004

Fonte: Evolução Biológica

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